Está mais difícil pousar na Lua?

Por que diversas missões espaciais falharam em pousar em nosso satélite natural?

Ilustração Walter Vasconcelos

Durante as missões Apollo, no final dos anos 1960 e início da década de 1970, 24 astronautas (todos estadunidenses) foram à Lua, e 12 pisaram nela. A nova missão da NASA, chamada Artemis, planeja enviar até o final da década de 2020 outros seres humanos para orbitar o nosso satélite natural e nele pousar. Mas sabia que, das últimas nove tentativas de pouso na Lua, cinco resultaram em fracasso e quatro apresentaram sérios problemas, como a japonesa SLIM, que, em janeiro de 2024, aterrissou de ponta-cabeça, e a Odysseus, que pousou em fevereiro de 2024 e tombou?

Você deve estar se perguntando: se a tecnologia avançou tanto, por que está mais difícil pousar na Lua hoje do que há 50 anos? Vamos analisar…

Um dos maiores problemas para pousar na Lua é a falta de atmosfera, que exige que a nave freie de mais de dois mil quilômetros por hora a quase zero antes de chegar à superfície sem o uso de paraquedas. Isso tem que ser feito por meio de propulsores movidos a combustível, que têm que ser acionados no momento exato e podem apresentar falhas e comprometer o pouso.

É preciso lembrar também que quase nada do que foi desenvolvido no passado para as missões tem utilidade atualmente, e que muito do conhecimento adquirido foi perdido. Não menos importante é o fato de que o dinheiro disponível para estas missões diminuiu de maneira impressionante. Estima-se que a NASA tenha hoje um orçamento mais de dez vezes menor do que o utilizado nas missões Apollo!

Mas nenhum destes é o ponto principal que está impedindo uma taxa maior de sucesso nos pousos na Lua. Você já descobriu qual é a grande diferença das missões atuais e das passadas? Sim, é o ser humano! As missões que tiveram sucesso no passado foram todas tripuladas, e o ser humano tinha o poder de tomar decisões quando os computadores não podiam. Isso faz toda a diferença!

Os astronautas e as equipes de solo treinaram em demasia, aprenderam muito com acertos e principalmente com erros. Neil Armstrong, o primeiro humano a pisar na Lua, quase morreu um ano antes do feito, quando sua aeronave de treinamento apresentou vazamento de combustível e explodiu. Felizmente ele conseguiu ejetar e acionar o paraquedas. Mesmo durante a descida à Lua, o mesmo astronauta foi surpreendido por um alarme na espaçonave, informando que o computador estava sobrecarregado.

Pensa que os sustos ficaram por aí? Não! Antes do pouso, Armstrong teve que pilotar manualmente a espaçonave, para tirá-la da área inicialmente prevista para pouso, porque havia muitos blocos de rocha na região. Para isso, ele utilizou bastante combustível e quase teve que abortar a missão. E tem mais! Ao colocarem aquele traje enorme para uma caminhada no solo lunar, Armstrong e o astronauta Aldrin quebraram um disjuntor no módulo espacial, e não conseguiriam acionar o motor para deixar a Lua. Se não fosse pela engenhosidade de Aldrin, que consertou a peça utilizando uma caneta, poderiam não ter retornado.

Assim, o principal problema dos pousos atuais é a falta de alguém para tomar decisões que os computadores não conseguem. Mas, não se esqueça: para conseguir tomar a decisão certa é necessário muito preparo e treino, e só se consegue isso com bastante experiência, o que inclui muitos acertos e muitos erros. Sabendo de tudo isso, você gostaria de ser astronauta?


eder_molina

Eder Molina
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Universidade de São Paulo

Sou paulista, e já nem lembro quando nasci… Sempre fui curioso sobre o porquê das coisas, e desde criança tinha meu clubinho da ciência. Hoje sou professor de Geofísica e continuo xereta e buscando aprender muitas coisas, principalmente sobre a Terra e o Sistema Solar.

Matéria publicada em 01.03.2024

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