Filósofa/o!

Ilustração Walter Vasconcelos

Você é daquelas pessoas que gostam de questionar tudo à sua volta? Das matérias na escola ao trabalho dos seus pais? Das leis da natureza ao comportamento das outras pessoas? Se, para você, o “porque sim” nunca é suficiente, então é bom considerar com carinho o caminho do estudo da filosofia!

A filosofia é considerada a “mãe” de diversas áreas do conhecimento. As ciências, a política e, em alguns casos, até religiões. Foi a partir dela que a humanidade se desenvolveu. No nosso caso, que vivemos no Ocidente, os pensadores da Grécia antiga foram os pioneiros. Mas filósofos e filósofas são importantes até hoje, milênios depois. Quem nos explica é a professora Alice Bitencourt Haddad, da Universidade Federal Fluminense.

“A principal marca, ainda nos dias de hoje, é essa capacidade de olhar para a realidade e para o cotidiano e se fazer perguntas. Atualmente, por exemplo, vemos surgir um grupo de filósofos e filósofas discutindo e questionando o racismo, o machismo, a questão das fake news… Enfim, filósofos e filósofas são figuras importantes porque sinalizam os problemas de seu tempo”, conta a professora, que se encantou pela filosofia a ponto de interromper outra faculdade para seguir essa carreira.

“Eu estava fazendo faculdade de psicologia, mas não estava feliz. Tive aula com um professor de filosofia que fez eu me apaixonar pela área. Os textos que eu tinha que ler e as discussões que tínhamos em sala eram fascinantes. Na faculdade de filosofia, estudamos filósofos e escolas filosóficas de diferentes períodos. É claro que não dá para saber tudo, mas, com muita dedicação, conseguimos ter uma noção geral do que foi e do que é a filosofia”, continua.

Para viver da filosofia, o caminho é a universidade. O mais comum é que filósofos e filósofas se tornem professores para dar aulas em uma faculdade, fazer pesquisas… Ou seja: você busca respostas para as suas perguntas, transforma em conhecimento e, no final, passa tudo o que você aprendeu para as outras pessoas. Parece legal, hein?

Mas engana-se quem acha que a filosofia está apenas nas salas de aula. É no cotidiano que as questões filosóficas realmente aparecem. Muitas vezes, a gente se depara com elas sem nem perceber. Alice conta que vive isso o tempo todo com os filhos – a Irene, de 11 anos, e o Hugo, de 8 – e em outras situações do dia a dia.

“Outro dia ouvi uma pessoa dizer que as queimadas no Pantanal eram normais por causa do período de seca. Mas, para ela dizer que as queimadas eram normais, ela deveria ter consultado dados dos anos anteriores e comparar. Ela não tinha elementos para afirmar o que estava afirmando, e alguém com um olhar filosófico percebe o erro e não se engana”, explica.

O caminho para ser filósofo ou filósofa inclui dedicação e muito estudo. Mas Alice garante que tudo sempre começa de maneira simples, basta ter um espírito investigativo: “É por isso que se diz que toda criança tem uma natureza filosófica, porque ela é curiosa e faz perguntas sobre a realidade à sua volta”.

 

Cathia Abreu
Instituto Ciência Hoje

Matéria publicada em 16.03.2021

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