Quem protege os meros?

Peixes que podem ser maiores do que humanos estão ameaçados de extinção.

Foto Athila Bertoncini

Você já ouviu falar nos meros? São peixes marinhos que fazem parte da família das garoupas, badejos e chernes. Eles são essenciais para o equilíbrio do oceano, mas… estão em perigo e precisam ser preservados! 

O nome científico do mero é Epinephelus itajara, que, na língua Tupi, significa “senhor das pedras”. Foi nomeado assim pelo pesquisador alemão Martin Hinrich Carl Lichtenstein, em 1822, muito provavelmente por conta de seu hábito de nadar entre as pedras. Mas ele também recebe os apelidos de bodete, canapú e badejão, pelas diferentes regiões brasileiras.

Antes mesmo dos europeus pisarem pela primeira vez no Brasil, os meros já eram conhecidos pelos povos originários. Mas esses peixes não vivem apenas pelo nosso litoral, habitam as águas do oceano Atlântico, na África, do Senegal ao Congo; e, nas Américas, dos Estados Unidos, passando pelo Caribe e América Central, até chegar na América do Sul, ocorrendo até Santa Catarina, no Brasil.

A vida dos meros começa no manguezal, onde esses peixes ósseos (que apresentam esqueleto) passam seus primeiros anos de vida. Quando nascem, são uma minúscula larva do tamanho da ponta de um alfinete, e a parte mais curiosa é que todos os meros nascem fêmeas. Na fase adulta é que alguns se tornam machos, possibilitando a continuidade da espécie! 

Por volta dos seis ou sete anos de idade, mais ou menos a idade que você começa a ler, os meros podem ter até um metro de comprimento e já formam grandes cardumes para se reproduzir. Quando adultos, eles ultrapassam o tamanho de um ser humano, podendo atingir mais de dois metros de comprimento e pesar mais de 400 quilogramas – peso aproximado de cinco pessoas adultas. É ou não é um peixão?!

Por mais que sejam grandões, os meros parecem gostar de se sentir protegidos, porque, quando adultos, saem dos estuários e manguezais para procurar abrigo em recifes de coral, costões rochosos ou estruturas artificiais, como embarcações naufragadas e pilares de pontes. No mar, os meros podem ser encontrados a até 100 metros de profundidade. Em ambientes naturais protegidos, eles vivem de 37 a 40 anos, aproximadamente. Acontece que os meros estão em perigo de extinção porque a quantidade de indivíduos que estão sendo mortos é maior do que a dos peixes que estão conseguindo se reproduzir. 

Eles são vítimas, principalmente, da degradação do ambiente, pesca predatória e poluição. Estão classificados pelos especialistas como criticamente ameaçados de extinção, e isso quer dizer que correm o risco de não existir mais. E, quando os meros diminuem de quantidade, causam desiquilíbrio no ambiente: populações de espécies que são consumidas por eles irão aumentar e, por sua vez, se alimentar mais de outras espécies. 

Para ajudar a conservar esses peixes, especialistas se uniram e criaram, em 2002, o Projeto Meros do Brasil, que vem crescendo e hoje atua em 1.500 quilômetros de costa brasileira, estando presente em nove estados e 37 municípios, onde realiza ações de pesquisa científica, educação ambiental e comunicação.

Além do projeto, outra ação importante para a conservação da espécie foi a proibição, por lei, da pesca do mero, tornando a pesca desses peixes um crime ambiental! Se você estiver se perguntando “e como eu posso ajudar o mero e outros peixes?”, um bom modo é saber quais peixes que você e a sua família costumam consumir. Se for uma espécie ameaçada, vocês podem parar de comprar para obrigar que parem de pescá-la. E aí? Os meros podem contar com você?

Que tal conhecer o mero de perto, assistindo ao documentário Itajara?


Tássia Biazon
Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano
Universidade de São Paulo  

Matéria publicada em 31.05.2024

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