Quero saber…

…por que a Lua é cheia de buracos e brilha à noite?

Ilustrações Walter Vasconcelos

Quando vemos a Lua cheia, lá longe no céu, ela parece uma grande bola branca brilhante e lisinha! Mas uma olhada mais atenta em fotos de alta definição, graças à tecnologia, revela que a Lua na verdade é bem esburacada! Por algum tempo, achava-se que esses buracos, as crateras, eram vulcões extintos que teriam existido na superfície lunar. A verdade é que  a Lua é cheia de buracos por causa de impactos de corpos rochosos que recebeu durante toda a sua vida. E ainda recebe… Mas grande parte das crateras lunares é bem antiga, formada nas fases iniciais de vida da Lua, há quase quatro bilhões de anos! Naquele período, não só a Lua, mas planetas como a Terra, Marte, Mercúrio e, possivelmente, Vênus, foram constantemente atingidos por pequenos corpos que sobraram do Sistema Solar ainda em formação: asteroides, principalmente! A maior cratera lunar conhecida tem 290 quilômetros de diâmetro, o equivalente à distância entre as cidades mineiras de Belo Horizonte e Juiz de Fora. Já as menores crateras podem ser tão pequenas quanto o buraco de uma agulha.

Sobre o brilho da Lua, anote aí: ela é um corpo celeste que não possui luz própria. Na verdade, só conseguimos enxergá-la porque ela reflete a luz do Sol. Mas isso não torna a vista menos interessante, não é mesmo? Principalmente na fase de lua cheia, quando toda a sua superfície se encontra iluminada para um observador na Terra.

 

Eder Cassola Molina
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Universidade de São Paulo

…se os animais herbívoros também podem comer carne.

A gente aprende desde cedo que animais herbívoros são aqueles que se alimentam de plantas e que os carnívoros comem carne ou outras fontes de proteína animal. Sendo assim, herbívoros como as cutias, simpáticos roedores que vivem na América do Sul e na América Central, alimentam-se apenas de matéria vegetal, certo? Olha, a resposta da maioria das pessoas, inclusive a nossa, seria “sim”, se a pergunta tivesse sido feita até alguns meses atrás. Mas nem sempre é assim!

Alguns animais carnívoros podem consumir material vegetal como parte da dieta. É o caso do lobo guará, que consome o fruto da lobeira, uma árvore de tronco retorcido que leva esse nome por ser muito apreciada por esse animal. E o contrário também pode acontecer, quer dizer, herbívoros podem comer carne ou outras fontes de proteína animal, como ovos.

Descobrimos que precisávamos rever esses conceitos quando instalamos algumas armadilhas fotográficas em fragmentos de floresta no Cerrado da região de Rio Verde, no estado de Goiás. De armadilhas elas não têm nada: colocamos câmeras que podem ser ativadas à distância e que permitem fotografar animais em estado selvagem com a menor interferência possível. Para a nossa surpresa, quando analisamos os vídeos gravados por essas armadilhas, vimos duas cutias (Dasyprocta azarae) em dois locais diferentes consumindo ovos de codorna em ninhos artificiais que havíamos instalado na mata.

Isso mesmo! Tínhamos dois registros independentes de um herbívoro consumindo proteína animal na natureza. Ficamos impressionados e curiosos. Depois encontramos outros estudos, feitos em cativeiro e em condições naturais, que revelavam que cutias poderiam comer carniça, predar pequenos animais e, claro, ovos! Descobrimos ainda que há outros registros de herbívoros, como esquilos, consumindo proteína animal para complementar sua dieta e obter nutrientes necessários para suas atividades. Por essa você não esperava!

Jânio Cordeiro Moreira
Marco Antônio Guimaraes Silva
Alessandro Ribeiro de Morais
Fabio Martins Vilar de Carvalho
Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde

…de onde vem a expressão fila indiana?

Seria bem natural pensar que, pelo nome, a expressão veio… da Índia! Mas, na verdade, acredita-se que a origem seja de bem mais perto, dos povos nativos da América Central. “Fila indiana” seria uma tática de guerra adotada por esses povos. Os nativos andavam pelas florestas perfeitamente alinhados, um atrás do outro. Desse modo, o último da fila apagava os traços do caminho percorrido por eles. Outra teoria diz que esses povos caminhavam assim para não se perderem uns dos outros.

O fato é que essa expressão é bem antiga! Segundo estudos do linguista estadunidenseo Wolfgang Mieder, a primeira aparição da expressão “fila indiana” foi em 1754. Isso mesmo, há quase três séculos! Hoje essa expressão nem é mais tão usada nos Estados Unidos, por ser um termo que pode diminuir ou insultar os indígenas.

Já aqui no Brasil a expressão é usada o tempo todo, mas com valor e peso histórico diferentes. É mais uma herança que temos da influência de línguas estrangeiras, principalmente do inglês. E não é assim que a linguagem humana funciona? Desde sempre, e cada vez mais, palavras, expressões e ditados fluem de uma língua para outra. Quase que em fila indiana!

Isabella Louise Ramos de Assis
Faculdade de Letras
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 01.06.2022

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